Histórias Vermelhas de Zallar | Contexto

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A série Histórias Vermelhas de Zallar centra-se no mundo de Zallar e nos seus conflitos políticos e culturais. Povoado de raças inusitadas como os Homens Demónio, Zallar recebeu a raça humana através de uma qualquer evolução registada a sul. Os humanos reclamaram o domínio de Gourjulea, o cerne do mundo, e atiraram os Homens Demónio para os desertos. A raça demoníaca definhou, tornando-se nómadas dos desertos conhecidos como mahlan.

Os séculos e gerações passaram-se. Zallar mudou. A norte fica o continente das Terras Altas, local apenas habitado por humanos em cidades portuárias muito importantes para o comércio mercantil. A oeste, a terra aziaga, abraçada a uma promessa de azar, o riquíssimo e evoluído continente de Namantisqua. A sul, as Terras Quentes, onde nasceu o esclavagismo. Mas o coração de Zallar é Terra Parda, a antiga Gourjulea, uma terra selvagem polvilhada por cidades-estado, chamadas de espadas. Por muitos anos, essas cidades estiveram unidas, mas a união fragmentou-se e cada fortaleza passou a ter o seu próprio governo.

Os mahlan, vistos como seres acéfalos que apenas ameaçavam maciamente as fronteiras, ganharam inexplicavelmente estratégia de combate e armamento militar mais evoluído, visando reclamar os domínios que pertenceram aos seus antepassados.

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Fonte: britishbattles.com

Welçantiah e Hyldegard são as principais cidades-estado de Terra Parda. Os seus reis viveram alianças e guerras ao longo dos tempos, com outras cidades na sua sombra, entre elas Somoros, uma fortaleza sofisticada conhecida por uma herança de ardúcia e disciplina, acordando alianças e aparecendo em combate apenas quando tal lhe parecera lucrativo. A Liga Parda foi a união de todas essas espadas para a defesa das fronteiras que separam Terra Parda do Deserto de Ossos.

Sem qualquer expressão governativa, as imensas Cordilheiras Bravas foram alvo de despique por muitos anos, mas hoje são propriedade de Welçantiah, que se usa das suas madeiras e recursos humanos como pilar para a sua hegemonia. Welçantiah é hoje a grande potência económica de Terra Parda.

Foi nos terrenos que circundam Welçantiah que foi descoberto o tormento negro, um minério explosivo utilizado hoje pelas principais potências militares, como projéctil em armamentos como revólveres ou mosquetes. A Liga Parda ergueu muralhas junto aos desertos e usa-se de todo esse potencial militar para parar os meios rudimentares dos mahlan, assim como as aves demoníacas que chamam de ooti, montadas pelas criaturas dos desertos.

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Fonte: thinglink.com

Os Ameril são a família dinástica que vigora em Welçantiah. Hymadher é considerado por todos como um rei bondoso e honesto, mas vive constrangido pelas suas obrigações. O primeiro rei da sua dinastia foi O Rei Pastor, conhecido por ter expulsado um tirano do poder e salvo Terra Parda na importante Guerra dos Corcéis, aliando-se a Somoros e Hyldegard para subjugar os marechais das Terras Altas e as suas intenções comerciais. Todos os que lhe seguiram foram conhecidos pelos seus feitos. O pai de Hymadher, Ozilliar III, foi talvez o mais credenciado. Conseguiu invadir as Terras Quentes e colonizar a maior parte do seu território, transformando Welçantiah na potência que é hoje. Por sua vez, o promissor Hymadher, que havia travado grandes batalhas a sul ao longo da sua juventude, vê-se enredado em tramas dentro do seu palácio, sem nenhum feito em carteira que o imortalize. O seu irmão enfermiço, Goròn, e a sua esposa, Hamsha, conspiram contra ele. Mas Hymadher sabe que não são os únicos.

Lazard Ezzila é a rainha de Hyldegard. Os Lazard foram uma família dinástica muito poderosa em Hyldegard, no passado. A espada era a mais poderosa de Terra Parda, nesses tempos, quando Lazard Anton venceu o rei de Namantisqua, Dayyon Yahya, numa guerra sem quartel. Uma guerra que terminou com a derrota de Yahya e o final da sua dinastia, fazendo dos sábios conselheiros do rei, os Vaticinadores, soberanos do trono de prata de Namantisqua. Os relatos dessa guerra, porém, foram apagados dos registos terrapardianos, inspirando terror aos leigos com as suas promessas de azar. Os Lazard foram, anos mais tarde, depostos.

Ezzila não ganhou o seu lugar no trono pelo seu nome. O pai era um conselheiro do rei Maskean Olegos, quando o enfrentou e foi condenado à morte. Em defesa do pai, Ezzila abdicou do homem que amava e entregou-se a Olegos. O rei poupou a vida ao pai e levou-o ao exílio, em troca de Ezzila. Ela odiou-o, até aprender a amá-lo. Um dia, porém, o rei morreu, e o destino de Hyldegard ficou nas suas mãos. Rainha por direito, Lazard Ezzila revelou-se uma governante desastrosa, sendo obrigada a contrair matrimónio com o primeiro-ministro de Olegos, Riotto Amarion, para impedir a hecatombe de Hyldegard. Nunca esqueceu, porém, o homem que amava quando foi obrigada a salvar a vida do pai: Ameril Hymadher, hoje rei de Welçantiah.

É num momento de grande tensão que a acção de Espada que Sangra, o primeiro volume, se inicia. As muralhas de Terra Parda estão em risco e o armamento sofisticado da Liga Parda não resistirá por muito tempo às investidas mahlan. A tentativa de convidar a raça el’ak, sediada em Torre das Harpas, no litoral, a juntar-se à Liga Parda, é defraudada com a traição de um capitão de Hymadher, Dyekken Jacoh, que hostiliza os el’ak e torna-os cativos da sua mercê. Jacoh instala-se como senhor da fortaleza e não parece receptivo a mexer um dedo para ajudar o homem que fora seu soberano.